
Postado por: Elizângela Lopes
O partido do próprio governador Wellington Dias, o PT, foi o primeiro a rachar dentro da base aliada. As declarações do deputado federal Nazareno Fonteles (PT) e a carta que entrega ao Diretório Estadual na tarde desta segunda-feira (08/03) foram o estopim. Um grupo está do lado de Nazareno e defende que devem ter candidatura própria e não apoiar o nome do senador João Vicente Claudino (PTB) como candidato da base.
Um outro lado é comandado pelo presidente da sigla, deputado estadual Fábio Novo, que defende a ideia de W.Dias em dar apoio à decisão de ter JVC como candidato. O nome 'racha' é evitado pelos petistas, que prometem resolver tudo abertamente, sem atritos, mas o clima de embate já contagiou os mais apaixonados e até os radicais. O próprio pré-candidato petista secretário Antonio José Medeiros, petista histórico, está do lado de Nazareno e não concorda com o governador em apoiar JVC.

Neste momento, vários petistas se reúnem no Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores. Alguns argumentam a favor de Nazareno e outros contra. O presidente da CEPRO,amigo pessoal de Wellington Dias, Oscar de Barros, chegou a fazer críticas ao próprio presidente do PT-PI, Fábio Novo. Ele escreveu o seguinte no blog que assina no Portal AcessePiauí: "O presidente do PT não ajuda o PT. Na condição de presidente, Fabio Novo poderia, pelo menos, assumir uma posição de neutralidade (o que já seria um absurdo), num momento em que o Partido está dividido. Mas,não! Ele assumiu um lado. Eu, estou tranquilo, por que nas duas eleições em que ele foi candidato a presidente do PT eu não votei nele. E em suas duas vitórias, lamentei pelo PT".
Encontrado pela reportagem do 180graus, Oscar de Barros disse que sim, o PT pode rachar no Piauí. Ele defende a ideia do deputado Nazareno Fonteles e escreveu em seu blog em tom de desabafo. Quando Nazareno chegou, foi recebido com foguetório e animação de vários petistas. Uma ampla maioria apoia a crítica do parlamentar, que se mostra corajoso, ou melhor, como prefere definir, "coerente", com a situação. Nazareno voltou a dar entrevista e disse que "custe o que custar" vai nesta disputa até o fim e sabe que vai "arcar com as consequências". Ele também admitiu que o partido pode rachar. Fábio Novo rebateu a posição dos que apoiam Nazareno, Medeiros, Oscar de Barros e companhia. Ele negou o racha e disse que acredita em um entendimento.
CONFIRA OS DETALHES DA REUNIÃO
A chegada do deputado federal Nazareno Fonteles à sede do PT foi acompanhada por foguetório, organizado por militantes e correligionários do parlamentar. O deputado trazia em mãos, cópias da carta destinada ao presidente do diretório estadual do PT, o deputado estadual Fábio Novo, que chegou à reunião em seguida.
Logo na recepção, Fonteles distribuiu as cópias do documento. Por meio da carta, segundo ele, o partido quer que Wellington Dias se reúna com o diretório, antes de anunciar a decisão de apoiar um candidato que não seja do PT, além de reafirmar o apoio à candidatura do secretário estadual de Educação, Antonio José Medeiros. O documento solicita também uma reunião ainda este mês com a executiva estadual do PT
“O diretório decidiu que, em janeiro, teria uma nova reunião do diretório para março. Como de lá para cá, não se chegou a um acordo em torno de uma posição em consonância do que o governador está ouvindo dos outros partidos e esta posição do diretório, queremos que a reunião aconteça antes que o governador faça um pronunciamento público”, explica Fonteles.
Após cumprimentar companheiros, Fábio Novo propôs que a discussão fosse feita na sala de reuniões, com a presença da imprensa e de todos os presentes no diretório. Percebeu-se que o clima entre os deputados era tenso, já que pouco trocaram palavras.
Novo informou que a reunião da executiva do PT acontece hoje, quando deve ser definida a data para o encontro do diretório. Para ele, é natural o partido dos Trabalhadores reivindicar candidatura própria. “Vejo com tranquilidade essa decisão. vamos decidir a data da reunião do diretório, que de acordo com a resolução, tem que ser feita em março. Veremos com a executiva para marcar essa data”, responde o deputado estadual petista.
Sobre a possibilidade de existir um racha dento do partido, Fonteles acredita que divergências fazem parte da história do PT. “O PT já passou por muitas divergências, é normal disputar nossas posições. Não é justo que o partido tenha a maior popularidade do país, e aqui no Piauí, e deixe de apresentar seu candidato”, rebate. Já Novo evitou falar em divisão dentro do PT. “Não há divisão no partido. Diferentemente das outras siglas, temos uma democracia interna, onde é natural haver divergência”, declara o deputado.
Nazareno Fonteles questionou os três critérios de escolha do candidato da base aliada. Segundo ele, Antônio José Medeiros obedece a dois deles, no caso compromisso com o projeto e capacidade de aglutinação. O secretário só ficaria atrás no quesito pesquisa eleitoral. Fonteles solicita ainda que, mesmo tardiamente, Wellington Dias apóie AJM, a exemplo de Lula e Dilma Roussef, em que o presidente deu apoio desde o começo à candidatura da ministra da Casa Civil.
Deram apoio ao deputado Nazareno Fonteles, durante a entrega da carta, militantes jovens, lideranças da Federação das Associações de Moradores e Conselhos Comunitários do Piauí (FAMCC), Igreja Católica, Movimento dos Sem-Terra (MST), além de Oscar de Barros e Adalberto Pereira, integrante da militância socialista, que pede o respeito às instâncias do partido. “As instâncias do partido devem ser respeitadas. Na última reunião do diretório ficou decidido que trabalharíamos a candidatura de Antonio José”, conta.
Fonte: 180 Graus
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